Pular para o conteúdo principal

Postagens

Destaques

Ruídos presos a uma manhã de saudades

  um barulho de lata acertada com a funda um vidro quebrando, a chinelada na bunda o som murcho dos petardos na bola chocha o doído zunido e vermelho lavrado na coxa   quase meio-dia e uns rebuliços de lombriga um galho partindo só pra engabelar barriga diálogos de bicos entre a galinha e o filhote toco de peroba e o silvo cansado do serrote   o chiado das rodelas de morcilhas na banha o eco do berro do porco na sua última sanha o ploff ploff das bolhas estourando no angu e as meninas gritando pro peru: glu glu glu   um gemido de carro de bois no pesado chão a Maria no tabuleiro e, na canga, o seu João com camisa apertada, umbigo de fora e sujo mais longe, um Jesus em passo de caramujo   e olhares falantes de tanta gente que havia

Últimas postagens

Randômico, mas não por acaso

As coisas que ele sabia

Hiatos de beleza

Segredos oxidados que não contam

Benevolência oculta na arquitetura do mundo

Assim rumava meu avô

Mãe de estação

O mundo antes do desbotamento

A arte de engabelar maldades

Verso, anverso e inverso do verso

Chupando favos de mel-o-dia

De pés descalços ao anoitecer

Não há monstro que não caiba debaixo da cama

Pedra em estado de espanto

Anatomia de um encanto

Ou teria sido algum beija-flor?

Formas sem forma no avesso do paraíso

Prece pê perturbadora

Do avesso de sentir

Lembranças ao Zaimer

O voo lúcido da ternura