A arte de engabelar maldades
aprendi com minha avozinha que até olho ruim se vê assustado se a gente cobre os espelhos da casa com paninhos cheirando a arruda tão sábia, espantava pesadelos fazendo sonho voar antes do susto bordando – sobretudo – passarinhos nas alvas fronhas dos travesseiros e planejando enganar tempestade certa noite nos beijou muito cedo e foi dependurar sininhos de brisa nos varais sob o nosso arvoredo eu mesmo tenho tapeado muita dor cometendo uns pequenos disparates afiando umas espadas-de-são-jorge com guiné, comigo-ninguém-pode pra que ela me olhe, tenho rezado e de vez em quando eu até a escuto: – Menino, é que o mal, lá no fundo, tem faro de coisa que não se cuide!