O voo lúcido da ternura
há
passarinhos que se bastam no chão
e nos caquinhos
de azul, esgaravateiam
fingindo que
têm um céu aos seus pés
outros possuem
asas de enfeite apenas
apêndices
erguidos de paciência e pena
e se entretêm
com formigas e orvalhos
há também os
que desaprenderam o ar
e acham nos
galhos um sossego de mundo
uma eternidade
pousada em gravetinhos
nos seus
sonhares, elevam-se sem sair
voam de
dentro pra ainda mais dentro
e lá em cima,
do âmago deles mesmos,
o alto se
abre como um riso de criança
porque voar,
às vezes, é só ficar assim
de coração
tremendo – quieto – no ninho
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