Entre revisões

 

cansado de olhar certo, coisas erradas

relaxei num olhar torto para as certas

 

ali, achei beleza em margem borrada

e respirei um frescor de infância livre

em palavras que não cabiam na linha

saltitando levadas por um catavento

 

ah, é que o erro é feito uma flor miúda

um despropósito que põe cor no mato

e a precisão é somente um jeito tímido

de o homem pedir desculpas ao vento

 

recolhi todo o tamanho do meu passo

deixei o ponto enamorar-se da vírgula

e dividi com eles o som dos parafusos

o doce cântico de versos de ferrugem

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Esse poema surgiu, de fato, entre os processos de revisão de dois artigos científicos. É um breve transitar entre o rigor da ciência e o voo da imaginação.

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