Sabiá mente, sabiamente

 

escrevi uma carta de laranjeira, em flor

abduzi a madrugada com letras matinais

destilei lágrimas em hora só de orvalhos

imprimi ali o meu pecado mais aromático

 

o papel suspirou impregnado de cítricos

a noite partiu cabisbaixa, sem um adeus

e o sol me observou apenas de esguelha

como a quem maculava o ar puro do dia

 

mas a missiva nunca partiu em correios

deixei-a maturando na boca dos ventos

e quiçá um sabiá, exilado em seu canto,

a decifre distraído em notas bem sutis

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