Formas sem forma no avesso do paraíso
há uma
dor no vazio, incompleta
que
dói por não caber em si - sabe o poeta -
e que
se esparrama entre as frestas do nada
como
se buscasse um canto qualquer sem ouvidos
onde
pudesse debruçar seu estrondoso silêncio
ela se
ergue dum túmulo de bordas infinitas
cavado
para muito além do que de mais oco haja
onde
nada repousa, além das sombras das ausências
sobre
a poeira de corpos em chão que não se fecha
e dali
caminha descalça pelo avesso dos paraísos
pobre
poeta, a quem se ferem seus tantos passos
que
sente a dor de dobras de pertencimento amorfo
que sofre
das solidões inventadas e crônicas, sozinho
ensaiando
idas que nunca partiram, mas não cessam
dilacerando
o seu íntimo – num esforço de existir
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