Ruídos presos a uma manhã de saudades

 

um barulho de lata acertada com a funda

um vidro quebrando, a chinelada na bunda

o som murcho dos petardos na bola chocha

o doído zunido e vermelho lavrado na coxa

 

quase meio-dia e uns rebuliços de lombriga

um galho partindo só pra engabelar barriga

diálogos de bicos entre a galinha e o filhote

toco de peroba e o silvo cansado do serrote

 

o chiado das rodelas de morcilhas na banha

o eco do berro do porco na sua última sanha

o ploff ploff das bolhas estourando no angu

e as meninas gritando pro peru: glu glu glu

 

um gemido de carro de bois no pesado chão

a Maria no tabuleiro e, na canga, o seu João

com camisa apertada, umbigo de fora e sujo

mais longe, um Jesus em passo de caramujo

 

e olhares falantes de tanta gente que havia

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