Benevolência oculta na arquitetura do mundo

 

há rios que deságuam nas montanhas

que é pra levar mais longe o gosto do mar

e árvores lançadas da boca de passarinho

pra galhos aprenderem gorjeios de ninar

 

aquela chave que se perdeu pra sempre

pode estar assegurando, bem escondida

que jamais se abra por fora uma porta

há muito fechada por dentro

 

num mundo posto de ponta-cabeças

pode ter uma escada de descer pro céu

e uma pracinha com tapetes de estrelas

onde nem sombras sintam a escuridão

 

é que a vida sabe como desfiar a gente

pra tecer as vestes da futura estação

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