Não há monstro que não caiba debaixo da cama

 

num escuro de não se espiar
havia meia órfã de pés de criança
e uma família de medonhatos

 

com dedos magros de poeira

alisavam os cabelos do meu medo

e se empanturravam de rangidos

os monstros sempre aprenderam
a diminuir seus ossos mal existidos
pra caber no vão de quase-coisas

e hoje me assusta acordar por lá

eu me desacontecendo em miudezas

virando um isso de amedrontar

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