De pés descalços ao anoitecer

 

tem mato que é feito espião de sereno

de verde capaz de fechar a boca da noite

na hora do dia que sorri mais festiva e sã

quando a estrelinha apressada diz o ahã

 

é ali que a água se molha ao acarar o rio

sem que desvende o seu úmido mistério

se é por timidez ou por tamanho desejo

e o vento finge que sabe de muito pouco

que é pra não contar vantagens às folhas

 

há um desbarulho mastigando sementes

como quem rumina pequenas promessas

com o cuidado de não despertar as raízes

e as veredas buscando em si alguma luz

pra não inventarem caminhos de engano

 

o grilo afina as asas pra valsa de violino

e as pererecas pedem mais uma rodada

não é estranho esse todo feito do nada

quando a cigarrinha pita seu cigarrinho

não é só mais um inseto fazendo fumaça

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